Mensagem do mês

A paciência é Azul: 2017 e a nossa Casa

“O medo nos impele a fugir e a coragem impede a nossa fuga. Mas se chamamos um homem de paciente, não é porque enfrentou um perigo de morte, mas porque se comportou de forma digna ao sofrer coisas que o ferem aqui e agora, sem deixar que a tristeza o domine.” (São Tomás de Aquino in Suma Teológica, Século XIII)

 

Esse foi um ano de sustos, sobressaltos e vitórias para a Casa do Sol Azul.

Em janeiro a Casa estava feliz com 5 acolhidas, sua equipe de funcionários e voluntários mais antigos, o braço forte e o olhar protetor de seus fundadores, Ana Dóris e Vanderley. Também já contava com o apoio da Rede Pessoal do Francisco (e lá na frente explicamos porque hoje é uma rede e não um simples grupo de voluntários).

Chega mês de junho e os fundadores se mudam para Portugal. Embora continuam sendo o esteio da Casa, entra na gestão da Casa os coordenadores da Rede Pessoal do Francisco. Uns camaradas que ninguém conhece, aqui listados em ordem alfabética: Amite, Beth, Patrícia e Rita.

Pânico e terror: e agora, como é que vai ser?

Essa casa funciona há dez anos e nesse tempo acolheu 410 mulheres ds quais 38 completaram o Programa e, destas, a maioria conseguiu se manter sóbria e trabalhar firme na reconstrução de suas vidas. E também há boas notícias acerca de quem, mesmo não completando o programa, conseguiu prosseguir bem.

E esses novatos, quem são?

Não são ninguém, não são mesmo.

O que eles têm? O que trouxeram para a Casa?

Trouxeram pouco mas com muito respeito para com o trabalho dos fundadores e de todos os outros trabalhadores que já estavam no Projeto. E o que trouxeram de mais valioso não pertence a eles: a A REDE PESSOAL DO FRANCISCO.

E por que Rede? Porque é mais que um grupo de voluntários que se reúne mensalmente para visitar as acolhidas da Casa e partilhar um Café da Manhã. O Pessoal do Francisco agrega pessoas que trabalham juntas pela causa da vida, de diversas maneiras. Há apoiadores que ainda não visitaram a Casa mas conhecem e acreditam no trabalho; alguns contribuem financeiramente, outros doam alimentos; há quem doa dias inteiros conduzindo as acolhidas para consultas e exames; quem dá aulas e palestras; quem doa para o Bazar e quem organiza e conduz o Bazar arcando com todos os custos inerentes a essa tarefa; há médicos que abdicam de horas que seriam muito bem pagas em seus consultórios e participam do “sábado da saúde”; médicos que doam consultas nos seus locais de trabalho; quem faz o site; quem corrige os textos...

São muitas as doações e serviços e não será possível listar tudo nesse espaço. Há pessoas físicas e jurídicas e há aqueles, igualmente fundamentais, que no momento, “apenas” oram e ficam “na torcida”, ou “seguram o forte” enquanto outros vão até a Casa “meter a mão na massa”. E tem uns que fazem tudo isso e um pouco mais. Somos, orgulhosamente (desculpa aí, Reforma Íntima mas ainda somos assim mesmo um tantinho orgulhosos...) uma REDE com membros em Brasília, São Paulo, Maranhão e Sergipe.

E o que temos em comum? Muitas coisas mas a principal delas é o conceito de que fé é assim, primeiro você coloca o pé e depois Deus coloca o chão. E também acreditamos que Francisco, aquele jovem rebelde lá de Assis, é o principal articulador da nossa rede, que inclui gente católica, espírita, evangélica, budista e sem religião (alô islâmicos, judeus, pessoal dos cultos afro brasileiros e demais religiões, podem chegar que a Casa é nossa). E em meio a essa poderosa salada ecumênica, a Casa é gerida de forma laica. Seu programa terapêutico segue princípios baseados na literatura científica, na experiência do AA, do NA e do Amor Exigente. Suas regras obedecem às diretrizes das políticas públicas de um Estado laico e toda a documentação oficial está em dia.

E o que dá liga a tantas almas, ideias, ideologias e crenças? Fé e paciência. A vontade de mudar o mundo. Como não dá pra fazer tudo de uma vez, começamos por atuar sobre um problema de saúde pública que tem magnitude epidemiológica e consequências onerosas para a sociedade, que é o abuso das substâncias psicoativas.

Dando uma boa resumida na história, os quatro coordenadores da Rede Pessoal do Francisco, hoje gestores da Casa, formam uma direção colegiada que aceitou o desfio com o propósito de MANTER:

a) o apoio da Rede Pessoal do Francisco;

b) a Casa funcionando sem desempregar nenhum trabalhador e cumprindo todas as leis trabalhistas;

c) fidelidade às diretrizes dos fundadores, dedicando-se ao cuidado de mulheres com problemas relacionados ao uso de drogas lícitas e ilícitas sem discriminação de classe socioeconômica, raça/cor, orientação religiosa ou sexual, dando o melhor tratamento possível em termos terapêuticos e de conforto físico e emocional;

d) o cumprimento rigoroso de todos os trâmites legais e a absoluta transparência nas contas.

Somo meio orgulhosos, por isso celebramos o que essa Rede unida está conseguindo. Mas como não somos mentirosos, registramos: não é fácil. Mas, com mais paciência que orgulho, vamos juntos, mais alto e mais forte, como resumiu o escritor Jose Francisco Botelho:

“Quando virtuosa, a paciência se assemelha à coragem e é o contrário do desespero. Mas, quando se curva aos golpes do mundo, em vez de suportá-los com dignidade, a paciência se transforma em conformismo, que é apenas o próprio desespero em um formato mais confortável. Jó, o mais paciente dos homens, jamais se conformou com coisa alguma, pelo contrário, ele inquiriu pacientemente as engrenagens do seu destino, até encontrar uma resposta. E se a resposta não vier do universo, que venha de nós mesmos”.

Muita fé, paciência e nenhum conformismo, é o que desejamos para nós e para todos os que fazem a Casa do Sol Azul.

texto elaborado pela Coordenação da Casa
 

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